A encruzilhada era clara, e as duas estradas levariam a um mesmo destino: ou as eleições presidenciais da Rússia seriam um jogo de cartas marcadas, ou então a população seria enganada por outro tipo de mentira, a do nacionalismo em torno da invasão da Ucrânia. Os dois movimentos, simultâneos, elegeram o presidente Vladimir Putin para o quinto mandato no Kremlin.
Ao fim do próximo período, e com direito a reeleição, chegaria a 2030 com um recorde: mais tempo no poder do que Josef Stalin. O bigodudo esteve no comando, entre 1924 e 1953, até morrer, durante exatos 29 anos e um mês. Putin chegaria a trinta anos e sete meses. É tempo demais, retrato do modo autocrático pelo qual manda e desmanda no país, ancorado no clássico roteiro do déspota que pede socorro a uma guerra para domar os cidadãos.
Nas palavras de Svetlana Aleksiévitch, Nobel de Literatura, o mundo não percebeu que “Putin é como Hitler com novas tecnologias”. Basta ver o que Putin reserva aos opositores. O chefe do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, que liderara uma revolta, perdeu a vida em um acidente de avião mal explicado. Alexei Navalny, o mais ferrenho adversário do neoczar, morreu numa colônia penal no Ártico. Gélido, Putin nega qualquer envolvimento nas duas situações. Leia mais em #VEJA desta semana no link na bio e nos stories.
Com VEJA
Foto: Sefa Karacan.