Um novo relatório da ONU Brasil muda de forma radical a maneira como o mundo enxerga a crise hídrica. Segundo o Global Water Bankruptcy, publicado em 2026 pelo instituto da ONU para Água, Meio Ambiente e Saúde, a escassez deixou de ser um fenômeno pontual e passou a refletir um desequilíbrio estrutural entre a capacidade de reposição da natureza e o volume de água consumido pela economia global.
O diagnóstico aponta que rios, lagos, aquíferos, solos e geleiras estão sendo explorados além de seus limites seguros, comprometendo a capacidade dos sistemas hídricos de se regenerar. Parte dele foi literalmente retirada do sistema, parte tornou-se inutilizável por contaminação, e outra se perdeu com o degelo acelerado das geleiras, desmontando mecanismos naturais de regulação climática e hidrológica.
Diante desse cenário, a ONU defende abandonar a lógica de gestão de crises e adotar uma gestão da falência hídrica, baseada no reconhecimento dos limites físicos do planeta, na redução de usos incompatíveis e na incorporação de justiça social. Ignorar a insolvência, alerta o documento, apenas aprofunda os riscos do ativo mais essencial da economia.