Menu
Lula bloqueia exploração de terras raras e reafirma soberania do Brasil.
Lula bloqueia exploração de terras raras e reafirma soberania do Brasil.
Por Administrador
Publicado em 03/02/2026 09:22
Terras raras
Lula bloqueia exploração de terras raras e reafirma soberania do Brasil.

Lula percebeu algo que muitos ainda insistem em tratar como detalhe técnico, mas que na prática define o futuro das nações: terras raras não são apenas recursos minerais, são instrumentos de poder. Quem domina esses elementos controla cadeias inteiras de produção que vão da tecnologia digital à indústria militar, passando pela transição energética e pela própria autonomia econômica de um país.

Quando o presidente afirma que não faz sentido vender minério bruto para depois importar produtos de alto valor agregado, ele não está apenas fazendo um discurso desenvolvvimentista. Está atacando diretamente um modelo histórico que sempre colocou países ricos em recursos naturais na posição de meros fornecedores, enquanto outros concentravam indústria, tecnologia e lucros. É o velho ciclo colonial repaginado: exporta-se barato, compra-se caro e permanece-se dependente.

Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China e do Vietnã. Esses minerais são essenciais para fabricar baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, semicondutores, equipamentos médicos, sistemas de defesa e tecnologias ligadas à inteligência artificial. Ou seja, são a base material da economia do século XXI.

Não é por acaso que potências como Estados Unidos, União Europeia, Japão e China demonstram tanto interesse em “parcerias estratégicas” com países que possuem esses recursos. No vocabulário da geopolítica, termos como cooperação, investimento e abertura de mercado muitas vezes significam garantir acesso privilegiado, manter controle indireto e perpetuar relações de dependência tecnológica.

Ao afirmar que só aceita acordos que envolvam industrialização interna, transferência real de tecnologia e geração de valor dentro do Brasil, Lula rompe com esse padrão. Ele não fecha as portas ao mundo, mas também não aceita repetir o papel de exportador primário. Na prática, está tentando posicionar o país não como fornecedor de matéria-prima, mas como ator relevante nas cadeias globais de inovação.

Aqui entra um ponto pouco discutido: a disputa em torno das terras raras não é apenas ambiental ou econômica, é profundamente estratégica. O discurso da sustentabilidade aparece como fachada, mas o que realmente está em jogo é quem vai liderar os setores mais lucrativos e decisivos das próximas décadas — energia limpa, computação avançada, armamentos de alta tecnologia e automação industrial.

Relatórios da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda global por minerais críticos pode quadruplicar até 2040. Isso transforma países com grandes reservas em peças-chave do novo tabuleiro mundial. Lula sabe disso. Por isso, adota uma postura que incomoda: negociar de igual para igual, consciente do valor do que possui, algo raro em um sistema acostumado a lidar com nações pressionadas e não com nações estrategicamente posicionadas.

No fundo, a mensagem é simples, mas disruptiva: o Brasil não quer mais ser apenas o início da cadeia produtiva. Quer ser parte do centro decisório. Quem desejar acesso às terras raras brasileiras terá de aceitar um novo tipo de relação, em que o país deixa de ser fornecedor passivo e passa a ser sócio ativo do próprio futuro tecnológico.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Mais notícias

Não temos nenhuma recomendação no momento

Chat Online