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Justiça dos EUA e UE pressionam scroll infinito e mudam redes sociais
Justiça dos EUA e UE pressionam scroll infinito e mudam redes sociais
Por Administrador
Publicado em 10/02/2026 08:53
JUSTIÇA
Justiça dos EUA e UE pressionam scroll infinito e mudam redes sociais

A Justiça da Califórnia e a União Europeia abriram, neste mês de fevereiro, duas frentes que miram o coração do modelo de negócio das redes sociais: o design que “gruda” adolescentes na tela. O recado é simples, se a tese vingar, o scroll infinito, aquela rolagem infinita da tela, pode deixar de ser padrão, ao menos para menores, porque o foco passa do “conteúdo postado” para o “produto desenhado” para reter atenção.

Em Los Angeles, Meta (Instagram) e Google (YouTube) encaram um júri num julgamento de repercussão geral, daqueles que testam argumentos e podem orientar milhares de ações parecidas. A acusação central tenta contornar a proteção jurídica típica das plataformas ao sustentar que o dano não decorre de um post específico, mas de escolhas de engenharia, como rolagem sem fim, autoplay e mecanismos de recompensa que empurram mais tempo de uso para vender publicidade. TikTok e Snap, que estavam no caso, fecharam acordo por valores não divulgados.

Do outro lado do Atlântico, a Comissão Europeia colocou no papel algo ainda mais explosivo: um entendimento preliminar de que a “arquitetura viciante” do TikTok pode violar a Lei de Serviços Digitais (DSA). Entre os alvos citados estão o scroll infinito, o autoplay, notificações e o sistema de recomendação altamente personalizado. Se a conclusão for confirmada ao fim do processo, a multa pode chegar a 6% do faturamento global.

O que une Califórnia e Bruxelas é a mudança de enquadramento. A década passada gastou energia em moderação de conteúdo e guerra cultural. O movimento de 2026 tenta ir além e perguntar, no essencial, se o produto foi desenhado para maximizar engajamento de jovens mesmo quando isso piora sono, rotina escolar e saúde mental de parte deles. Essa linha é politicamente poderosa porque reúne pressões de campos diferentes e também porque obriga executivos a explicar, com detalhes, por que os aplicativos precisam ser “sem fim”.

Se esse entendimento se consolidar, o “fim do feed” pode virar obrigação técnica: pausas reais, limites menos dribláveis, desativação de certas mecânicas por padrão para adolescentes e mudanças no motor de recomendação. A Comissão Europeia já indicou, no seu diagnóstico preliminar, que o TikTok teria de mexer no desenho básico do serviço, e reguladores têm sinalizado menos paciência com medidas cosméticas.

O pano de fundo é ainda mais duro. Enquanto tribunais e reguladores apertam, o mercado publicitário está testando até onde dá para ir. No Super Bowl deste fevereiro, a presença de campanhas com estética e produção apoiadas em IA cresceu e dividiu o público. E, na mesma janela, a OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT para usuários adultos nos planos Free e Go nos EUA, com “sponsored links” claramente rotulados na parte inferior das respostas, sem anúncios para menores de 18 anos, segundo a própria empresa e reportagens.

O resultado é uma contradição que pode acelerar mudanças: plataformas dizem investir em “bem-estar”, mas dependem de tempo de tela para vender mídia. A política pública, enfim, está mirando o incentivo econômico, não a postagem individual.

No Brasil, o debate costuma chegar atrasado e contaminado por torcida. A hora é de cobrar transparência técnica e responsabilidade de produto, sem cair em censura e sem fingir que “é só desligar”. Quem desenha a vitrine do vício também tem de responder por ela.

Continue acompanhando os bastidores da política .

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