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PP e União festejam saída de Sergio Moro e veem cilada no PL
PP e União festejam saída de Sergio Moro e veem cilada no PL
Por Administrador
Publicado em 19/03/2026 11:49
POLITICA
PP e União festejam saída de Sergio Moro e veem cilada no PL

O senador Sergio Moro (União-PR) acertou a saída do União Brasil e a filiação ao PL, marcada para terça-feira (24), mas, no Paraná, seu desembarque na órbita de Flávio Bolsonaro foi recebido com um sentimento que, para o leitor, pode soar contraintuitivo: alívio. Em vez de choro, houve comemoração entre deputados do PP e do União Brasil ouvidos pelo Blog do Esmael. O motivo é simples. Para essa ala, Moro deixou de ser um problema interno da federação e virou um problema do bolsonarismo.

Um deputado do Progressistas resumiu o humor do grupo com uma frase ferina. Disse ao Blog que a migração de Moro para o PL é um “presente de grego” para Flávio Bolsonaro. Na leitura desse parlamentar, o ex-juiz leva junto uma contradição difícil de apagar: já atacou o clã Bolsonaro, fez referência à rachadinha e agora se junta ao mesmo campo político que dizia combater.

É aí que a conta muda dentro da federação. Moro até aparece com força eleitoral e já vinha sendo tratado como nome competitivo ao Palácio Iguaçu, mas parte importante do PP avaliava que sua permanência cobraria um preço alto em coesão, discurso e comando político. Essa resistência não nasceu ontem. Ela já aparecia publicamente desde o começo do ano, quando reportagens do Blog do Esmael davam conta de que o Progressistas paranaense era o principal obstáculo para consolidar o senador como candidato da federação.

Segundo Ricardo Barros, em entrevista ao Blog do Esmael, a ida de Sergio Moro ao PL foi uma escolha acertada, porque o ex-juiz poderá disputar o governo do Paraná sob o número 22, o mesmo do palanque presidencial de Flávio Bolsonaro. O líder do PP, porém, deixou aberta a porta para entendimentos futuros e afirmou que, até as convenções partidárias, entre julho e agosto, ainda poderá haver composição tanto com Moro quanto com o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD).

A apuração do Blog indica que a tendência hoje, dentro da federação União Progressista, é rejeitar a oferta de vice numa eventual chapa de Moro. A leitura predominante é que não faz sentido emprestar estrutura, tempo de TV e capilaridade a um projeto que saiu do bloco já em rota de colisão com parte dos próprios aliados.

“Nós não comparíamos um carro usado do Moro”, exemplificou a fonte progressista, arremantando que o PP não sucumbirá a ofertas de secretarias e vice na chapa do ex-juiz.

No lugar disso, o movimento mais provável é outro. A federação parece mais inclinada a olhar para o campo do governador Ratinho Junior, que continua se mexendo para a disputa nacional enquanto adia a definição do nome para sua sucessão no Paraná. Nesse ambiente, aliados da União Progressista esperam que Ratinho abandone de vez a insistência em Guto Silva (PSD) e abra espaço para uma composição mais palatável eleitoralmente.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Blog, o desenho que mais agrada hoje passa pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), que tem potencial de migrar para o Republicanos durante a janela partidária, com o ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD), ocupando a vice. Sem Moro na federação, acrescentam esses parlamentares, Greca fica com caminho mais desobstruído para negociar uma filiação ao PP. Mas, ainda de acordo com apuração do Blog do Esmael, a eventual volta de Greca ao MDB ganhou força. A hipótese conversa com o noticiário recente, que já mostrava Curi e Greca pressionando o PSD por uma definição e apontava a possibilidade de Curi buscar abrigo fora do partido.

Nas próximas horas, como registrou o Blog do Esmael, Alexandre Curi terá uma conversa definitiva com Ratinho Júnior antes de “Atravessar o Rubicão”, isto é, deixar o PSD rumo ao Republicanos para concorrer ao Palácio Iguaçu.

O curioso é que, antes mesmo da decisão de Moro, o tom no PL e na União Progressista já era parecido em relação a Ratinho. Dos dois lados, deputados reclamavam que o governador demorou demais para arbitrar a própria sucessão e insistiu além da conta no nome de Guto. Na tradução mais crua dos bastidores, a avaliação é que Ratinho queimou tempo, desgastou a base e pode pagar um preço político alto se continuar empurrando a escolha com a barriga.

No fim, a saída de Moro reorganiza mais do que uma filiação partidária. Ela mexe no centro da disputa pelo governo do Paraná. O que parecia, à primeira vista, uma perda para PP e União Brasil, virou oportunidade para reposicionar a federação ao lado do grupo mais competitivo do estado. E o que parecia ganho líquido para o PL já nasce com cara de teste de estresse: além de carregar um adversário de ontem, o bolsonarismo agora terá de explicar ao seu eleitor por que abraçou, com entusiasmo, quem até outro dia era tratado como traidor.

Moro publica vídeo com apoio do PL e pede Fora Lula nas redes. Foto: reprodução

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