PT chama Sandro Alex de laranja de Ratinho para Moro
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do Partido dos Trabalhadores do Paraná (PT), chamou Sandro Alex (PSD), escolhido por Ratinho Junior (PSD) para a sucessão ao Palácio Iguaçu, de “laranja” do governador no jogo político com Sergio Moro (PL). O ataque foi publicado nas redes logo depois de o Palácio confirmar, na segunda-feira (13), Sandro como nome do grupo governista para a disputa estadual.
Na postagem, Arilson escreveu: “Sandro Laranja Alex! O novo passo de Ratinho Jr. pra fazer jogo duplo com Moro. Não tem coragem de assumir que quer entregar o Paraná para um falso moralista, que usou da Farsa Jato pra fazer politicagem, e agora se alia com antigos inimigos corruptos. Tudo farinha do mesmo saco!”. A frase põe a escolha de Sandro no centro de uma acusação direta: a de que Ratinho não montou uma candidatura para enfrentar Moro, mas para administrar a própria travessia política.
A ofensiva do PT bate em duas frentes ao mesmo tempo. Na política, tenta carimbar Sandro como peça de um “jogo duplo” do governador com o senador. Na gestão, cola o deputado federal ao tema mais espinhoso do atual ciclo do governo, o novo pacote de concessões rodoviárias do Paraná. Não por acaso, Sandro volta ao debate carregando o histórico de ter comandado a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, antes de reassumir o mandato na Câmara dos Deputados no início deste mês.
Esse elo com o pedágio não nasceu agora. Em 7 de abril, Arilson e o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), ao lado da ministra Gleisi Hoffmann (PT), anunciaram que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspenderia cobranças indevidas de pedágio free flow em lotes do Paraná. Na ocasião, o líder petista disse que as cobranças por pórticos eletrônicos tinham virado “preocupação” e até “trauma” para a população.
Por isso, quando Arilson tenta apresentar Sandro como “candidato do pedágio”, a crítica não sai do nada. O próprio governo do Paraná informa que as novas concessões rodoviárias foram desenhadas com prazo de 30 anos. Em linguagem de campanha, o PT tenta amarrar o nome do indicado de Ratinho a um contrato longo, caro e politicamente sensível, que seguirá pesando sobre o estado muito além desta eleição.
A escolha de Sandro também abre outro flanco para o Palácio Iguaçu. Ratinho havia dito, também nesta segunda-feira, que a chapa sairia do PSD e seria anunciada até quarta-feira (15) ou quinta-feira (16). Horas depois, veio a confirmação de Sandro. O movimento fechou a porta para nomes que estavam no radar, como Alexandre Curi (Republicanos) e Rafael Greca (MDB), e deixou a disputa mais exposta ao ataque de adversários que já acusam o governador de não querer, de fato, um confronto duro com Moro.
No fundo, Arilson tenta fixar uma ideia logo na largada: a de que Sandro Alex não entrou na corrida para liderar um campo próprio, mas para servir de ponte entre Ratinho e o favoritismo de Moro. É acusação de campanha, não prova. Mas, em eleição, rótulo colado cedo costuma dar trabalho para quem precisa se explicar depois.
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