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Gleisi pressiona a Câmara pelo fim da escala 6×1
Gleisi pressiona a Câmara pelo fim da escala 6×1
Por Administrador
Publicado em 15/04/2026 14:16
POLITICA
Gleisi pressiona a Câmara pelo fim da escala 6×1

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais, publicou nesta quarta-feira (15) um novo vídeo em defesa do fim da escala 6×1 e jogou mais pressão sobre a Câmara dos Deputados no exato momento em que o tema virou confronto concreto dentro da Casa. No mesmo dia, o relator Paulo Azi (União-BA) apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC sobre a jornada, mas a análise acabou adiada por pedido de vista coletiva.

No vídeo, Gleisi vende a mudança com uma frase curta e direta, do jeito que o eleitor entende: o fim da 6×1 significa “mais descanso, mais tempo com a família” e “vida além do trabalho”. A ex-ministra também pede mobilização nas redes e cobrança direta sobre os deputados, sinal de que o Planalto decidiu transformar uma pauta trabalhista em pressão pública sobre o Congresso.

O fato novo veio na noite de terça-feira (14), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso, com urgência constitucional, o projeto de lei que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso remunerado e proíbe corte de salário. Na prática, o texto troca a escala 6×1 pelo padrão 5×2.

A urgência mexe no relógio político. Pelo rito escolhido pelo Planalto, a Câmara tem 45 dias para deliberar sobre o projeto. Lula justificou a proposta dizendo que ela devolve tempo aos trabalhadores para convívio familiar, descanso e lazer.

“A proposta devolve tempo aos trabalhadores e trabalhadoras: tempo para ver os filhos crescerem, para o lazer, para o descanso e para o convívio familiar. Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”, afirmou Lula.

O presidente da República também destacou que o fim da escala 6×1 vai trazer de volta a dignidade da família, de quem constrói o Brasil todos os dias. “E, importante, sem qualquer redução no salário. Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos.”

A disputa, porém, não ficou só no projeto do governo. Na CCJ da Câmara, Paulo Azi defendeu a admissibilidade da PEC e disse que a comissão especial deverá discutir pontos como jornada de 40 horas, escala 5×2, transição e eventual compensação para setores atingidos. Ao mesmo tempo, o relator criticou a escolha do governo de mandar um projeto de lei, e não uma emenda constitucional, ao dizer que o Planalto agiu de olho no momento político e no protagonismo da Câmara.

É aí que Gleisi volta ao centro da cena. Antes de deixar a Secretaria de Relações Institucionais no fim de março para disputar o Senado e reassumir o mandato de deputada, ela já havia tratado o fim da 6×1 como prioridade do governo em 2026. Em janeiro, disse que o Planalto poderia mandar um projeto para unificar propostas já em tramitação e argumentou que a escala pesa ainda mais sobre as mulheres, que ficam com um único dia para descanso e para a carga doméstica.

O ponto político está justamente aí. Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmara que o governo não mandaria projeto com urgência constitucional sobre a 6×1 e que a admissibilidade das propostas já em análise seria votada em meados de abril. Porém, nesta quarta, Lula fez o contrário e empurrou o tema para dentro do Congresso com rito acelerado.

Com isso, a fala de Gleisi deixa de ser apenas propaganda de rede social. O vídeo funciona como peça de convocação para a briga que já começou entre duas trilhas legislativas, a PEC em discussão na Câmara e o projeto do governo com urgência constitucional. O Congresso agora terá de decidir se assume o desgaste de segurar uma pauta popular ou se acelera a mudança na jornada de trabalho.

O tema deixou de ser promessa genérica. Virou teste de força entre Planalto e Câmara, com digital de Gleisi na articulação anterior e na pressão pública de agora.

 

 
 
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