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Tarifa dos EUA vira relógio de 30 dias para Lula defender indústria
Tarifa dos EUA vira relógio de 30 dias para Lula defender indústria
Por Administrador
Publicado em 08/05/2026 08:34 • Atualizado 08/05/2026 08:34
POLITICA
Tarifa dos EUA vira relógio de 30 dias para Lula defender indústria

LULA(PT) e Donald Trump empurraram para seus ministros a tarefa de apresentar, em cerca de 30 dias, uma proposta sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos (EUA) a produtos brasileiros. O prazo, aberto após a reunião na Casa Branca nesta quinta-feira (7), virou mais do que uma agenda diplomática: virou teste de soberania industrial.

O dado novo que dá peso político ao relógio vem da balança comercial. Em abril, as exportações brasileiras para os EUA caíram 11,3%, enquanto as vendas para a China subiram 32,5%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O contraste é bruto. Para o mercado americano, o Brasil vendeu US$ 3,121 bilhões em abril. Para a China, embarcou US$ 11,610 bilhões. Na planilha, a China compensa. Na política industrial, a conversa é outra.

A China compra muito, mas a dependência excessiva de qualquer destino empurra o Brasil para uma velha armadilha: vender matéria-prima, perder espaço em cadeias de maior valor e aceitar que a indústria nacional fique na defensiva. A tarifa dos EUA, portanto, não é só um problema de comércio exterior. É um aviso sobre quem manda no futuro produtivo do país.

Depois do encontro com Trump, Lula defendeu a criação de um grupo de trabalho para tratar das tarifas e da relação comercial bilateral. O presidente brasileiro disse que a saída foi dar prazo às equipes técnicas para resolver os impasses e voltar à mesa com uma proposta.

O ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, afirmou que Brasil e EUA devem realizar novo encontro dentro de até 30 dias. Segundo ele, a conversa inclui a tentativa de encerrar as tarifas americanas sobre produtos brasileiros e avançar na discussão sobre a Seção 301, instrumento usado por Washington para apurar práticas comerciais consideradas desleais

O governo brasileiro sustenta que apresentou dados para contestar a tese de uma relação comercial desequilibrada contra os EUA. Lula também voltou a defender que a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre produtos norte-americanos é baixa, argumento usado pelo Planalto para desmontar a narrativa protecionista de Trump.

Trump, por sua vez, registrou que a reunião tratou de comércio e tarifas e que representantes dos dois países terão novas conversas. A ausência de uma solução imediata não surpreende. O que importa, agora, é saber se o prazo servirá para retirar barreiras ou apenas para administrar o desgaste.

A disputa tarifária ganhou força em 2025, quando Trump impôs sobretaxas pesadas contra produtos brasileiros. Parte dos itens foi retirada da lista no fim do ano passado, mas o MDIC ainda calcula que uma fatia relevante das exportações brasileiras permanece submetida a tarifas adicionais.

Em abril, a balança com os EUA ficou praticamente no zero a zero, com superávit brasileiro de apenas US$ 20 milhões. Com a China, o saldo foi de US$ 5,56 bilhões. O número chinês é vistoso, mas não elimina o problema estratégico: o Brasil não pode trocar uma dependência por outra e chamar isso de vitória.

É nesse ponto que o prazo de 30 dias vira uma prova para Lula. A negociação precisa proteger emprego, indústria, tecnologia e capacidade de decisão nacional. Não basta arrancar um alívio pontual para exportadores. É preciso impedir que tarifas virem instrumento de pressão política permanente contra o Brasil.

O Planalto também tenta amarrar a pauta comercial a temas como minerais críticos, data centers, energia e investimento produtivo. Lula tem dito que o país não quer ser mero exportador de riquezas naturais. A frase combina com o momento: soberania, no século 21, é produzir mais valor dentro de casa.

Se a proposta em 30 dias abrir caminho para reduzir tarifas sem rebaixar interesses nacionais, Lula terá convertido crise em vantagem. Se terminar em concessões vagas, a Casa Branca terá imposto o ritmo e o Brasil terá perdido tempo precioso. O relógio tarifário está correndo, e a indústria brasileira não pode pagar a conta da geopolítica dos outros.

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