O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), virou o fiador político do próximo passo no caso Banco Master nesta quinta-feira (14), depois que a relação direta entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro reacendeu a cobrança por uma investigação parlamentar ampla. A dúvida agora é simples: o Congresso quer investigar o Master inteiro ou escolher o alvo da vez?
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) confirmou para terça-feira (19) audiência pública com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar das investigações sobre o Banco Master e da atuação da autoridade monetária em relação ao Banco de Brasília (BRB).
A audiência é o primeiro rito institucional relevante depois da nova leva de documentos publicada pelo Intercept Brasil, que mostrou mensagens, áudio e registros sobre a negociação de recursos para o filme “Dark Horse”, projeto ligado à família Bolsonaro. O Intercept afirmou que o material foi checado por cruzamento com dados bancários, telefônicos, inquéritos, registros do Congresso Nacional e redes sociais.
O ponto político não está mais apenas no áudio. Está no alcance da investigação.
Se a apuração parlamentar mirar só Flávio Bolsonaro, ela vira instrumento de desgaste eleitoral contra o pré-candidato do bolsonarismo ao Planalto. Se mirar o Master inteiro, terá de passar por CDBs, fundos de previdência, BRB, Banco Central, Fundo Garantidor de Créditos (FGC), projetos no Congresso e relações do banco com políticos de campos diferentes.
Esse é o nó para Alcolumbre.
Em 26 de março, senadores foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para destravar uma CPI do Banco Master. O requerimento, segundo o Senado, já tinha 53 assinaturas e dependia da leitura do presidente do Senado em Plenário.
Ou seja, a chave formal já estava sobre a mesa antes da entrada de Flávio Bolsonaro no centro da crise documental. A diferença é que, agora, o custo de não abrir a investigação subiu.
A CPI específica no Senado já tem lastro regimental. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), com deputados e senadores, exigiria uma articulação mais ampla no Congresso Nacional. Em ambos os casos, a decisão deixa de ser jurídica e passa a ser política.
Para o eleitor comum, o tema não é abstrato. O Master envolve poupadores, investidores de Certificado de Depósito Bancário (CDB), servidores com dinheiro em fundos, contribuintes que temem socorro público e eleitores que acompanham a disputa presidencial de 2026.
O FGC também entra no centro da cobrança. O fundo funciona como proteção a investidores em caso de quebra de instituição financeira, dentro de regras próprias. Quando políticos discutem aumentar seu teto ou mexer no alcance da cobertura, a pergunta pública é quem ganha, quem paga a conta e quem estava perto do banco antes do estouro.
O Paraná não pode assistir de camarote.
Os três senadores paranaenses em exercício são Flávio Arns (PSB), Oriovisto Guimarães (PSDB) e Sergio Moro (PL). Eles precisam dizer se defendem CPI, CPMI, convocação de envolvidos, abertura de dados sobre o BRB, explicações do Banco Central e apuração sobre projetos ligados ao FGC.
Moro tem relação partidária direta com Flávio Bolsonaro no PL. Arns e Oriovisto encerram mandato em 2027 e podem ser cobrados pelo eleitorado paranaense que acompanha a crise pelo bolso, não pela briga de torcida digital.
A pergunta incômoda para todos é a mesma: investigar só o adversário serve à política; investigar a engrenagem inteira serve ao interesse público.
Qual a posição de Moro sobre os áudios de Flávio Bolsonaro, questiona Zeca Dirceu. Foto: reprodução
O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) não perdeu tempo e espezinhou Moro.
“Cade o Sergio Moro? Sumiu. A pergunta que todo paranaense esta fazendo é: ‘O que Moro acha do áudio do Flávio Rachadinha pedindo 134 milhões ao Vorcaro do Banco Master?’ Com a palavra o senador, que nada fez em 4 anos no Senado”, disparou o petista.
Flávio Bolsonaro nega irregularidade e tratou a negociação como iniciativa privada. Essa defesa, porém, não responde sozinha ao problema parlamentar. O Congresso não precisa esperar sentença penal para apurar se houve influência política, tentativa de blindagem, omissão regulatória ou projeto legislativo conveniente ao ambiente de negócios do Master.
Alcolumbre pode deixar o caso parado na fila, empurrar o debate para a CAE ou permitir uma comissão com poderes de investigação. Cada escolha terá leitura eleitoral em 2026.
A audiência de Galípolo na terça-feira (19) será o primeiro teste público. Se a CAE ficar restrita a explicações técnicas do Banco Central, o Congresso dará ao caso tratamento administrativo. Se os senadores abrirem o leque para BRB, FGC, políticos, investidores e patrocinadores, o Master deixará de ser ruído de rede social para virar inquérito de poder.
A crise agora cobra posição nominal. Quem defende investigação precisa aceitar que ela alcance aliados, adversários e intermediários. Quem tenta limitar o foco assume o risco de parecer interessado em proteger parte do sistema que alimentou o Banco Master.
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