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Moro vira samambaia de Flávio Bolsonaro no caso Vorcaro
Moro vira samambaia de Flávio Bolsonaro no caso Vorcaro
Por Administrador
Publicado em 20/05/2026 08:12
POLITICA
Moro vira samambaia de Flávio Bolsonaro no caso Vorcaro

O senador Sergio Moro (PL-PR) foi arrastado nesta terça-feira (19) para o centro do desgaste de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso Banco Master, depois que a coletiva convocada para blindar o filho zero um de Jair Bolsonaro terminou com a expressão do ex-juiz da Lava Jato correndo nas redes sociais.

A cena ganhou força porque Flávio confirmou a jornalistas, após reunião com a bancada do PL, em Brasília, que visitou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, depois que o banqueiro passou a usar tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, a visita ocorreu para “botar um ponto final” na crise do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

O problema político é que Moro estava ali, parado, ouvindo o correligionário explicar uma relação que já havia provocado estrago na pré-campanha presidencial da direita. Nas redes, a imagem virou munição pronta: o ex-juiz, que tentou construir no Paraná uma chapa lastreada em Flávio Bolsonaro, apareceu como figurante constrangido de uma crise que não controla.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), pré-candidata ao Senado e principal voz de Lula no Paraná, publicou trecho do vídeo com ironia direta: “Dureza hein?! A cara do Sérgio Moro ouvindo Flávio Bolsonaro falar que visitou Vorcaro com tornozeleira depois da prisão!”

Requião Filho (PDT), pré-candidato ao governo do Paraná e adversário direto de Moro, também entrou na cobrança pública: “Parece que tem gente sofrendo com as escolhas que fez!”

A fala de Flávio Bolsonaro não encerrou a crise. Ao contrário, ampliou o custo político para os aliados que embarcaram no palanque presidencial do senador fluminense. Flávio Bolsonaro disse ter ido ao encontro de Vorcaro no fim de 2025, depois que o banqueiro foi solto com tornozeleira eletrônica, e que a visita ocorreu para tratar do impasse no financiamento do filme.

O caso nasceu com a reportagem do The Intercept Brasil sobre conversas, documentos e áudios envolvendo Flávio e Vorcaro. Parlamentares de PT, PSOL e PCdoB anunciaram denúncia à Polícia Federal (PF), requerimento à Receita Federal e pedido de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a relação entre o senador e o banqueiro.

Flávio Bolsonaro nega irregularidade. O senador classificou o pedido de dinheiro como busca de patrocínio privado para um filme privado, sem dinheiro público, sem vantagem ilegal e sem recebimento pessoal de recursos. A defesa política, porém, esbarra no tamanho do desgaste e na intimidade sugerida pelas mensagens divulgadas.

A AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), mostrou Lula à frente de Flávio por 48,9% a 41,8% em eventual segundo turno. No primeiro turno, Lula apareceu com 47%, contra 34,3% de Flávio, no primeiro grande levantamento após a divulgação do caso Vorcaro.

O próximo teste será o Datafolha. O Blog do Esmael informou que o instituto vai a campo de quarta-feira (20) a sexta-feira (22), com 2.004 entrevistas e margem de erro de 2 pontos percentuais, para medir a eleição presidencial, testar Michelle Bolsonaro e avaliar o impacto das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O questionário do Datafolha pergunta se Flávio deveria manter a candidatura presidencial ou abrir mão e apoiar outro nome. Caso ele não seja candidato, o levantamento testa quem deveria receber esse apoio, incluindo Eduardo Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

É aí que o caso deixa Brasília e bate no Paraná. Moro se filiou ao PL para disputar o governo estadual, em movimento que também aproximou Deltan Dallagnol (Novo) da chapa ao Senado. O Blog do Esmael anotou que a chegada de Moro ao PL, em março, já enfrentava resistência interna na legenda paranaense.

Se Flávio Bolsonaro afunda no Datafolha, Moro perde o fiador nacional da operação que tentou unir bolsonarismo, lavajatismo e Novo no Paraná. Deltan, que amarrou seu destino ao mesmo arranjo, entra no pacote. A crise do Banco Master, portanto, não ameaça apenas a pré-candidatura presidencial do filho de Bolsonaro. Ela cobra a fatura de quem escolheu esse palanque antes de saber onde ele terminaria.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder.

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