O mendigo de hoje será o rico de amanhã
O mendigo de hoje será o rico de amanhã
Por Administrador
Publicado em 05/04/2025 12:31 • Atualizado 05/04/2025 12:35
Opinião
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 Alceu A. Sperança

Irritado comerciante retalia o abusado mendigo que acabava de atacar seu veículo a pauladas (https://x.gd/Xfc2U). Impossível não se solidarizar com o comerciante. Só gente com sangue de barata ficaria impassível vendo o delinquente agindo impunemente.

 

Só que o problema da mendicância não se resolverá na base do cacete. Esperar que os comerciantes com habilidades em beisebol, a Guarda Municipal, a Polícia ou os ETs resolvam o problema é infantilidade. Se quem apanha não voltar para se vingar, não há onde prender tantos nem como arcar com as despesas de encarcerar arruaceiros.

 

Nos Estados Unidos, o país com maior número de mendigos, a polícia cansa de tanto bater e os incomodados arregaçam os noiados no cacete, mas ainda mais aparecem. Torram milhões com deportações, as mortes "acidentais" nos espancamentos acontecem em série e nada disso resolve. No dia seguinte tudo volta à estaca zero.

 

Afinal, isso tem jeito? Na Finlândia os mendigos são recolhidos e ganham trabalho. Se precisam de casa para morar, o governo banca 80% do aluguel. Por aqui há ótimos trabalhadores e até comerciantes bons de taco que gastam ao redor de 40% do que ganham só com as despesas de morar.

 

Na China, os mendigos sumiram da cena urbana, deslocados para trabalhar nas áreas rurais de onde os jovens gênios saem para brilhar na indústria urbana. Por aqui, sobram empregos urbanos, mas falta gente qualificada para ocupar as vagas porque se paga pouco.

 

 

 

Vence eleição quem promete segurança e não cumpre

 

Nos países que amam o Estado mínimo a delinquência dispara. Nunca se viu tantos mendigos nos EUA e na Alemanha quanto agora. Assistir alguém destruindo um carro na rua é comum na França. Na Itália e Inglaterra ver mendigos é corriqueiro.

 

Haveria uma solução política? Sem chance. Os partidos que vencem eleições são os que defendem violências contra mendigos e refugiados, mas dá-se aí um fenômeno curioso: os que se elegem pregando polícia pra quem precisa de polícia nunca resolvem a situação.

 

Até pioram o problema ao prender e matar adultos que deixam filhos órfãos ou abandonados. Mas não se turbe vosso coração: a ciência avisa que os mendigos de hoje serão os ricos de amanhã.

 

Considerando mendigo quem gasta o que consegue em comida e não tem onde morar, nota-se que a Geração Z vive em estado de mendicância na nação mais poderosa do mundo.

 

Há dois anos, esses mendigos norte-americanos movimentavam US$ 9 trilhões em renda. Até 2030 vão movimentar US$ 36 trilhões e US$ 74 trilhões em 2040. Será a geração mais rica da história (https://x.gd/IJVDX).

 

 

 

Posições se invertem

 

O tempo passa. Enquanto o negócio do comerciante agressor é logo superado pela voracidade do mercado e pelo pantagruelismo tributário patriota, eis que o mendigo rico passa, robusto e forte, diante do falido. Da boleia de sua Ferrari, ele diz: "Toma aí teu Estado mínimo!"

 

"Vem cá", dirá o comerciante falido, surpreso: "Como é que você ficou rico assim?"

 

Deu-se que em viagem para Miami um coach ostentando brinco de brilhante e o mendigo surrado e andrajoso, expulso do Brasil, sentaram-se lado a lado no avião.

 

- Se você prestasse como coach me ensinaria agora mesmo um jeito de ganhar um milhão. 

 

- Ora, os milhões estão arreganhados à sua disposição. Você só precisa aprender a treinar sua mente para ganhá-los.

 

- Arreganhados onde? O erro de vocês, coaches, é ser muito genéricos.

 

- E o de vocês, miseráveis, é não ser informados. Agora mesmo o governo da Índia oferta um milhão de dólares para quem decifrar o código escrito da antiga civilização do Vale do Indo.

 

- Não acredito que qualquer resposta apresentada como solução seja aceita para ganhar o prêmio.

 

- Mas aí está: se você começa a jornada sem acreditar, não vai chegar nunca ao destino. Notei que você come salgadinhos freneticamente. Sabia que tem um milhão aí pronto para te cair no papo?

 

- Pago pra ver. Desculpe, recebo um milhão pra ver.

 

- A Lay"s paga o mesmo milhão de dólares por uma boa ideia de sabor de batatinhas. É o concurso Do Us a Flavor.

 

- Tenho muitas ideias de sabor pra batatinhas, mas nenhuma será aprovada para me darem o milhão.

 

- Cético desse jeito, chance zero. Mas tem um jeito que seria impossível a eles negar o prêmio.

 

- Duvido!

 

 

 

Há vagas que pagam um milhão

 

- Claro que duvida... É o seguinte: a Apple paga um milhão de dólares para quem encontrar na Private Cloud Compute (PCC) vulnerabilidades que afetem sua segurança.

 

- Ah, mas aí você paga pra entrar na nuvem e descobre que ela é feita para não ter vulnerabilidade.

 

- Ora, é grana contra descoberta. Não tem como errar. Tem outra barbada que é do mesmo tipo: apresente o resultado e ganhe a bufunfa.

 

- Deve ser outra coisa meio impossível.

 

- Talvez. O empresário russo Alex Konanykhin oferece a recompensa de um milhão de dólares pela detenção do presidente russo, Vladimir Putin, a quem acusa de ser criminoso de guerra.

 

- Se chegar perto do Putin quem vai preso é a gente.

 

- Quer moleza? Tem essa: fabricante de armas da Ucrânia oferece até US$ 1 milhão (R$ 5 milhões na cotação atual) para quem roubar aeronaves militares russas.

 

- Sei não, essas coisas do Putin até o Trump respeita...

 

- Bah, o empresário Luiz Henrique Crestani, de Palma Sola, Santa Catarina diz que pagará R$ 1 milhão a quem comprovar que Lula é inocente nos processos que enfrentou na justiça.

 

- A Justiça brasileira condena hoje e absolve amanhã. Não tem jeito de ganhar essa bolada.

 

 

 

Era fácil, mesmo

 

Aí esse mendigo incrédulo volta rico ao Brasil e reencontra o comerciante que um dia o espancou e logo faliu de tanto pagar imposto:

 

"Mas como você ficou rico, depois das cadeiradas e chutes que eu te dei?"

 

- Fiz algo mais fácil que conseguir provar a inocência de político brasileiro: roubei o avião russo. (Ilustração: ETNow/Mescla)

 

 

 

Alceu A. Sperança é escritor e jornalista - alceusperanca@ig.com.br

 

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