O presidente da China, Xi Jinping, defendeu neste domingo o fortalecimento do renminbi como moeda de reserva global. A declaração foi feita em texto oficial publicado na revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, e reforça a estratégia de ampliar o uso internacional da moeda chinesa.
Segundo Xi, a China precisa consolidar um sistema financeiro mais robusto, com instituições competitivas e centros financeiros capazes de atrair capital global. O objetivo é reduzir a dependência do dólar em transações internacionais, comércio, investimentos e reservas cambiais.
A fala ocorre em um momento de crescente questionamento sobre o papel do dólar no sistema financeiro mundial, especialmente entre países que enfrentam sanções econômicas ou buscam maior autonomia monetária. O movimento também dialoga com iniciativas em curso no BRICS e em acordos bilaterais conduzidos por Pequim.
Especialistas apontam que, embora o dólar ainda concentre a maior parte das reservas globais, a China vem ampliando gradualmente o uso do renminbi em contratos de energia, comércio internacional e financiamentos estratégicos.
Agora, a leitura política é inevitável.
Xi Jinping não está apenas defendendo sua moeda. Ele está deslegitimando o dólar como pilar absoluto do sistema global. O discurso deixa claro que o dólar já não é visto como sinônimo de estabilidade, mas como um instrumento político usado para punir, pressionar e controlar países.
Quando a segunda maior economia do mundo — ou a primeira, dependendo do critério — passa a tratar o dólar como dispensável, o símbolo muda. O dólar deixa de ser sagrado e passa a ser comum. Uma moeda como outra qualquer, sujeita a concorrência, desconfiança e substituição.
O incômodo em Washington não é retórico. É estrutural. Sem o monopólio do dólar, sanções perdem força, déficits ficam mais caros e o poder de impor regras diminui. É exatamente esse o ponto que Xi ataca.
Não se trata de um colapso imediato. Trata-se de algo mais perigoso para quem manda: a erosão lenta da autoridade. E, nesse processo, a China não grita. Ela organiza, estrutura e avança.
O dólar não acaba amanhã. Mas, pela primeira vez em décadas, já não decide sozinho o futuro do mundo.
