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Como o jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro embaralha as eleições no Paraná
Como o jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro embaralha as eleições no Paraná
Por Administrador
Publicado em 23/02/2026 15:13
POLITICA
Como o jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro embaralha as eleições no Paraná

Alternativa mais forte do PSD para as eleições presidenciais, Ratinho Júnior não terá vida fácil se quiser viabilizar sua candidatura ao Planalto em 2026. Além de disputar internamente no partido a vaga na corrida nacional, o governador enfrenta dificuldades para nomear um sucessor ao governo do Paraná capaz de frear o avanço de Sergio Moro (União Brasil) nas pesquisas — como mostra reportagem de VEJA, o ex-juiz lidera hoje em todos os cenários para comandar o Executivo estadual.

No fragmentado tabuleiro da direita paranaense, nem Ratinho nem Moro podem descartar uma aliança com o PL, do expresidente Jair Bolsonaro — em um dos estados mais conservadores do país, o apoio do bolsonarismo a um dos lados pode representar um pesado golpe contra o outro. Nas últimas semanas, governador e ex-juiz vêm acenando publicamente ao eleitorado evangélico enquanto negociam nos bastidores com o grupo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), buscando conquistar a simpatia de uma importante fatia do eleitorado e, mais importante, afastá-la do adversário.

O histórico recente da política nacional, contudo, dificulta a aproximação entre o grupo de Jair Bolsonaro e qualquer dos dois lados. No caso de Ratinho Jr, a relação entre governador e ex-presidente rachou nas eleições municipais de Curitiba, em 2024. Na ocasião, o PL formou chapa à prefeitura com Eduardo Pimentel (PSD), aliado de Ratinho, mas Bolsonaro contrariou o próprio partido e endossou o nome da rival Cristina Graeml (ex-PMB, atualmente no Podemos), que acabou derrotada no segundo turno.

Moro, por sua vez, tem uma longa ficha de atritos com o clã Bolsonaro que datam desde 2020, quando deixou o Ministério da Justiça disparando acusações públicas contra o capitão por tentativa de interferência na Polícia Federal. A relação com o PL, tampouco, é amigável — em 2022, quando Moro derrotou o bolsonarista Paulo Martins (hoje vice-prefeito de Curitiba) nas eleições ao Senado, o ex-juiz da Lava Jato tornou-se alvo de uma ação eleitoral movida por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, pela sua cassação por abuso de poder econômico na campanha.

Indefinição embaralha corridas ao Senado e governo do Paraná Os interesses conflitantes do PL nos cenários nacional e estadual, bem como a incerteza dentro do PSD sobre a candidatura ao Planalto, tornam o xadrez partidário ainda mais complicado no Paraná para as corridas ao Senado e ao governo local.

Para o Senado pelo Paraná, o PL mantém a pré-candidatura do deputado federal Filipe Barros, que tem proximidade com Ratinho Júnior e busca compor uma chapa com o PSD. Em entrevistas recentes, governador e deputado vêm sinalizando o interesse em consolidar a aliança — o pacto entre PSD e bolsonaristas fortaleceria o grupo contra a frente da esquerda paranaense que vem se cristalizando, com a aposta do PT no nome da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e apoio a Requião Filho (PDT) ao Executivo estadual.

Nos bastidores, o grupo de Barros tenta agendar um encontro entre Ratinho Júnior e Flávio Bolsonaro para selar o acordo. Do outro lado, porém, há conversas sobre um possível apoio do senador a Sergio Moro — manobra que tem sido vista como um ultimato do “Zero Um” para fazer o governador desistir de vez da corrida presidencial e topar uma aliança com o PL ao Senado.

Já Moro enfrenta resistência à sua candidatura ao governo do Paraná dentro da federação União Progressista, uma vez que o PP almeja lançar um nome próprio ao Palácio Iguaçu e negocia uma saída do senador do União Brasil. Presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (Piauí) já se demonstrou disposto a embarcar na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, aumentando a pressão sobre o ex-juiz para migrar de partido caso queira manter sua empreitada ao Executivo estadual.

 

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