O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, acionou nesta quarta-feira (25) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o senador Sergio Moro (PL-PR). Na notícia de fato protocolada na Corte, o petista pede que a fala do ex-juiz seja examinada à luz do Inquérito 4.874/DF, conhecido como o inquérito das milícias digitais.
O estopim foi a declaração de Moro no ato de filiação ao PL, ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quando afirmou que Lula teria sido eleito “entre aspas” no Brasil. Na peça enviada ao STF, Lindbergh sustenta que a fala não pode ser tratada como ironia solta ou frase de efeito, porque volta a insinuar, sem prova, que o resultado de 2022 seria ilegítimo.
A petição bate numa tecla central: o Brasil já conhece o preço político dessa narrativa. O documento afirma que os ataques à lisura das eleições, às urnas eletrônicas e à autoridade da Justiça Eleitoral ajudaram a corroer a confiança pública e prepararam o ambiente que desembocou na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Para Lindbergh, reabrir esse enredo agora é manter em circulação o mesmo repertório que alimentou a ofensiva antidemocrática.
O argumento jurídico do deputado é claro. Segundo a peça, quando um agente político lança suspeita sem prova sobre uma eleição já encerrada, auditada e proclamada, o alvo deixa de ser apenas o governo de plantão e passa a atingir o próprio sistema de votação, a totalização dos votos e a legitimidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ação diz que a ambiguidade também opera como método de desinformação, justamente porque semeia dúvida sem assumir frontalmente a acusação.
Por isso, Lindbergh pediu três movimentos imediatos de Moraes. Primeiro, a oitiva da Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois, a análise de eventual conexão entre a fala de Moro e o objeto do INQ 4.874/DF. Por fim, a extração de cópias ao TSE e à Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, da Advocacia-Geral da União (AGU), para eventual adoção de providências.
Ao puxar o caso para o inquérito das milícias digitais, Lindbergh tenta dar ao episódio um peso institucional bem maior do que o da disputa entre PT e Moro. O gesto procura fixar uma linha: depois do 8 de Janeiro, insinuação contra a soberania do voto não deve mais ser recebida como comentário trivial de campanha, mas como fala com potencial de reforçar a máquina de suspeição contra a democracia. Essa é a tese política que o deputado agora entrega ao STF.
Moro abriu sua nova fase no PL ressuscitando uma sombra que o país ainda não enterrou. Lindbergh respondeu tentando fechar essa porta no Supremo. A disputa de 2026 mal começou, mas o fantasma de 2022 já voltou ao centro do palco.