A política ensina, cedo ou tarde, que alianças sem cálculo estratégico costumam custar caro. No Paraná, o governador Ratinho Júnior está no segundo mandato e, portanto, não poderá disputar a reeleição. Isso coloca a sucessão estadual no centro do tabuleiro político.
Dentro desse cenário, o avanço de Sergio Moro começa a se tornar um fator real de poder no estado. Nas últimas movimentações políticas, Moro tem despontado com posicionamento elevado no debate público e ampliado seu espaço no eleitorado paranaense.
Ao mesmo tempo, o chamado projeto nacional articulado por Gilberto Kassab começa a ser visto por alguns analistas como um “barco furado” no campo presidencial. A avaliação nos bastidores é que a iniciativa teria mais potencial de fragmentar votos do que de construir uma candidatura realmente competitiva ao Planalto.
Nesse cálculo político, a preocupação de aliados de Ratinho Júnior seria clara: entregar o Paraná “de mão beijada” para Moro sem obter contrapartidas relevantes no cenário nacional poderia significar um erro estratégico.
Foi nesse contexto que surgiu a aproximação com Flávio Bolsonaro. A leitura política é que alinhar forças nesse campo pode reorganizar o tabuleiro e evitar que o Paraná se torne apenas um trampolim político para projetos externos.
Na política, quem percebe a correnteza antes costuma remar para fora da tempestade. E, ao que tudo indica, Ratinho Júnior entendeu que poderia estar entrando em uma fria.