O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), segundo informação da Polícia Federal. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, 1 mês e 15 dias por tentativa de golpe de Estado, Ramagem estava foragido nos Estados Unidos desde 2025 e já era alvo de pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro.
As circunstâncias da prisão de Ramagem ainda são controversas, pois há versão de que a detenção pelo ICE foi fruto de negociações recentes entre os governos brasileiro e americano. O Blog do Esmael está apurando a informação com fontes em Brasília.
A notícia atinge em cheio o bolsonarismo porque derruba uma das fantasias mais repetidas pela extrema direita: a de que os Estados Unidos serviriam como refúgio seguro para condenados da trama golpista. Sob o governo Donald Trump, o braço da imigração americana deteve um aliado de Jair Bolsonaro (PL) que havia deixado o Brasil antes do cumprimento da pena.
O pedido de extradição já estava formalizado havia meses. Em 28 de janeiro de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicou ao STF que a embaixada brasileira em Washington entregou o pedido ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025. A solicitação partiu do ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos da tentativa de golpe.
A condenação de Ramagem foi fixada pela Primeira Turma do STF em setembro de 2025. A Corte informou que ele recebeu pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias, em regime inicial fechado, no julgamento do núcleo central da tentativa de golpe.
Depois da condenação, Ramagem perdeu o mandato e voltou a responder integralmente aos processos remanescentes. Em dezembro de 2025, o STF registrou de forma explícita que ele estava foragido nos Estados Unidos. Em janeiro de 2026, o governo brasileiro confirmou o avanço do pedido de extradição.
A versão oficial já conhecida até aqui é a de que Ramagem deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana e seguiu para Miami com passaporte diplomático que não havia sido apreendido, segundo relato da Polícia Federal. Ele era alvo de difusão vermelha da Interpol, o que amplia a possibilidade de captura por autoridades estrangeiras.
Politicamente, o caso aumenta a pressão sobre o discurso bolsonarista de perseguição. Quando um condenado por tentativa de golpe é preso fora do Brasil por autoridades americanas, a narrativa de “exílio patriótico” perde chão e sobra o fato bruto: havia condenação, havia fuga, havia pedido de extradição e agora há detenção.
Até a publicação deste texto, o dado público mais sólido sobre a prisão vinha da confirmação à Polícia Federal. O que já está documentado de forma oficial é a condenação no STF e o pedido formal de extradição enviado pelo governo brasileiro aos Estados Unidos. Ainda está em aberto a informação de que a prisão foi fruto de negociação entre governos.
A partir de agora, o próximo movimento está em Washington e em Brasília. Se o processo andar, Ramagem poderá ser devolvido ao Brasil para cumprir a pena imposta pelo STF no caso da trama golpista.