Menu
Curi pode sair do Senado para disputar governo do PR
Curi pode sair do Senado para disputar governo do PR
Por Administrador
Publicado em 29/04/2026 10:50
POLITICA
Curi pode sair do Senado para disputar governo do PR

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), virou peça cara demais para ficar preso à disputa ao Senado. Se ele for deslocado para uma chapa ao Palácio Iguaçu, a eleição paranaense muda de lugar e mexe com MDB, Republicanos, Podemos, União Brasil e Progressistas.

A hipótese ainda está em aberto. Não há anúncio formal de retirada de Curi da corrida ao Senado.

O que existe é uma mudança objetiva no peso político do presidente da Alep e uma reunião da cúpula desses cinco partidos prevista para semana que vem, em Brasília.

Curi deixou o PSD e foi para o Republicanos no início de abril, em movimento lido como entrada no jogo pelo governo do Paraná. Antes de Ratinho Júnior (PSD) indicá-lo ao Senado e Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu, ele vinha conversando com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).

Esse é o nó.

No Senado, Curi é competitivo, mas não lidera. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de abril, Alvaro Dias (MDB) aparece à frente, seguido por Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e outros nomes, a depender do cenário testado.

Em uma das simulações, Curi marca 10%. Sem Cristina Graeml (PSD), vai a 11%. Em outro quadro, com Roseane Ferreira (PV), aparece com 12%.

Os números mostram que Curi tem força, mas não resolve sozinho a eleição para a Câmara Alta.

Para o Palácio Iguaçu, a conta é outra.

Curi carrega a presidência da Alep, trânsito com prefeitos, força entre deputados e presença no miolo da base de Ratinho.

Esse tamanho torna Curi útil demais para ser apenas candidato a uma das duas vagas ao Senado.

A movimentação atinge diretamente o MDB. O partido oficializou Rafael Greca como pré-candidato ao governo do Paraná e Alvaro Dias ao Senado em 15 de abril, em vídeo divulgado nas redes sociais da legenda.

Se Curi for para uma chapa com Greca, o MDB ganha uma ponte forte com a Alep e com o interior. Se Greca for vice de Curi, o Republicanos assume a cabeça de chapa e força uma recomposição do centro paranaense.

Nos dois desenhos, Alvaro Dias fica preservado como nome de Senado do MDB.

A dúvida recai sobre a segunda vaga.

Sem Curi no Senado, a direita continuaria com vários nomes fortes, Alvaro, Deltan, Filipe Barros, Cristina Graeml, Pedro Lupion, Hauly e outros possíveis arranjos. O problema é que ficaria com menos um operador capaz de organizar parte desse campo.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) aparece nessa conta apenas pelo efeito indireto. Ela não disputa o mesmo campo de Curi, mas pode ser beneficiada se a direita perder uma peça de coordenação na corrida pela segunda vaga.

Como o Paraná elegerá dois senadores em 2026, cada eleitor terá dois votos. A retirada de Curi não transfere voto para a esquerda, mas pode embaralhar o segundo voto do campo conservador.

Para Republicanos, Podemos, União Brasil e Progressistas, Curi no Palácio Iguaçu teria outra função: organizar palanque, tempo de televisão e sobrevivência proporcional.

O Blog do Esmael já registrou que a articulação Curi-Greca cresceu no vácuo deixado pela dificuldade do governador Ratinho Júnior de emplacar um sucessor. O mandatário cessante já cortou seu dileto amigo Guto Silva (PSD) da disputa e agora se prepara para usar a navalha novamente.

A leitura ganhou força após a pesquisa Quaest incendiar a bancada governista na Alep. Em 27 de abril, o Blog mostrou que aliados reabriram a fórmula Curi-Greca depois de Sandro Alex aparecer com 5% ou 6%, enquanto Moro variava de 35% a 42% nos cenários testados para o governo.

Esse é o problema de Ratinho.

Uma candidatura fraca ao governo ameaça a eleição dos deputados da base. Deputado estadual precisa de palanque regional, prefeito mobilizado, chapa com voto e candidato competitivo ao governo.

Sem isso, o governismo corre risco de perder governo, Senado e parte da Alep na mesma tacada.

A tensão pré-eleitoral na Alep já aparece no plenário e nas conversas de corredor. A base sabe que a eleição de 2026 pode encurtar mandatos, cortar alianças e mudar o comando político do estado.

Curi, nesse cenário, deixa de ser apenas nome para a Câmara Alta. Vira seguro contra naufrágio.

A consequência para Moro também é direta.

Se Curi e Greca marcharem juntos, Moro deixa de enfrentar apenas a máquina de Ratinho ou candidaturas soltas de centro. Passa a encarar uma frente com base parlamentar, capilaridade municipal e partidos com interesse concreto em não entregar o Paraná ao lavajatismo.

Nada disso está decidido.

Mas a política paranaense já se move como se Curi custasse caro demais para ser tratado como peça lateral.

Ratinho precisa decidir se usa Curi para proteger a chapa majoritária ou se mantém o presidente da Alep numa disputa ao Senado em que ele reforça o campo governista, mas não garante comando do processo. A escolha pode definir quem chega vivo à convenção.

Entre prefeitos e aliados, a leitura é simples: o Senado ficou pequeno para Alexandre Curi. Eles veem o presidente da Alep com mais utilidade no Paraná, perto da base, do que em Brasília.

No Centro Cívico, o relógio começa a correr contra Sandro Alex.

Tic-tac, tic-tac.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Chat Online