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Ratinho surfa em emprego de Lula
Ratinho surfa em emprego de Lula
Por Administrador
Publicado em 01/07/2026 10:53
POLITICA
Ratinho surfa em emprego de Lula

O Paraná criou 60.400 vagas com carteira assinada entre janeiro e maio de 2026, mas a vitrine que Ratinho Junior (PSD) tenta vender como façanha estadual depende do ciclo nacional de emprego sob Lula e encontrou limite em maio: o estado abriu só 2.210 postos no mês, enquanto o Brasil gerou 72.960 vagas, pior resultado para maio desde 2020 segundo a cobertura econômica nacional.

O dado divulgado em 30 de junho pela Agência Estadual de Notícias coloca o Paraná com o quarto maior saldo do país no acumulado do ano, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. O governo estadual também destacou que o estado foi o único do Sul com saldo positivo em maio, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina fecharam vagas formais no período.

A conta é boa para Ratinho Junior, mas não nasceu no Palácio Iguaçu. O Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que o país chegou a 767.326 vagas formais abertas em 2026 e a um estoque de 47,87 milhões de vínculos com carteira assinada. É esse chão nacional, produzido sob o governo Lula, que permite ao Paraná aparecer bem no retrato regional.

A disputa política começa quando o release estadual transforma conjuntura nacional em propaganda local. Ratinho tenta colher o emprego como obra própria, enquanto o Planalto lê o movimento de outro jeito: governadores surfam numa economia que voltou a gerar carteira assinada, renda e arrecadação depois de anos de aperto sobre o trabalhador.

Não é à toa que na bancada de oposição a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o Troféu Chupim de Ouro sempre foi “entregue” a Ratinho Junior.

O Troféu Chupim de Ouro é uma premiação satírica no cenário político paranaense, proposta pelo sindicalista Messias Obama, cujo objetivo é homenagear políticos que inauguram obras federais no estado sem dar o devido crédito ao presidente Lula.

O número bruto, porém, não basta. O Paraná somou 917.993 admissões e 857.593 desligamentos nos cinco primeiros meses do ano. Isso revela força de contratação, mas também alta circulação de trabalhadores. A pergunta que interessa ao eleitor não é só quantas vagas entraram na planilha; é quanto tempo elas duram, quanto pagam e se seguram aluguel, comida, transporte e luz.

O setor de serviços puxou a geração paranaense, com 35.140 postos entre janeiro e maio. Depois vieram indústria, com 13.761; construção civil, com 9.024; comércio, com 2.025; e agropecuária, com 450. O mapa desmonta a propaganda genérica: o emprego cresceu mais onde há demanda urbana, consumo, saúde, educação, transporte, logística e serviços privados.

No Brasil, a fotografia de maio foi mais fria. O MTE registrou 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos, com saldo de 72.960 vagas.Serviços também lideraram, com 45.655 postos, construção abriu 12.096, agropecuária 10.205, indústria 4.974 e comércio apenas 40. O comércio praticamente parou no mês, sinal direto para prefeitos e lojistas que dependem do giro da renda.

O freio aparece também no salário. O salário médio real de admissão no país caiu de R$ 2.402,07 em abril para R$ 2.384,10 em maio, recuo de R$ 17,97. Em relação a maio de 2025, houve alta real de R$ 35,98, mas o dado mensal reforça a pergunta social que o marketing oficial evita: emprego novo paga a vida real ou só melhora o placar do governo?

A velha mídia tratou o resultado nacional como o pior maio desde 2020 e registrou desaceleração pelo segundo mês seguido. Boletins na internet, produzidos por banqueiros, dizem que o saldo ficou abaixo da mediana de 120 mil vagas esperada e citaram analistas que veem perda gradual de força no mercado formal.

Ratinho tem um número estadual favorável, mas o Caged nacional impede discurso triunfalista. Se o Brasil desacelera, o Paraná também perde tração. O estado criou 17.958 vagas em janeiro, 22.698 em fevereiro, 15.800 em março, 1.734 em abril e 2.210 em maio. O salto do começo do ano virou marcha curta no bimestre seguinte.

Para Sandro Alex (PSD), pré-candidato escolhido por Ratinho para disputar a sucessão estadual, a vitrine do emprego pode virar peça de campanha. O Blog do Esmael registrou em abril que Ratinho escolheu o deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura para a sucessão no Paraná.

Mas a vitrine traz risco. Se Sandro Alex usar o Caged como troféu estadual, terá de explicar por que o Paraná depende do mesmo ambiente econômico nacional que bolsonaristas e aliados do Palácio Iguaçu atacam quando o crédito político favorece Lula. O eleitor pode aceitar propaganda; a carteira assinada, não. Ela cobra salário, estabilidade e preço no mercado.

É aqui o chupim pia, segundo Obama. O governo estadual tem direito de comemorar o saldo positivo. O problema é esconder a origem do vento. O Paraná não gera emprego numa ilha. A indústria depende de crédito, câmbio, consumo, exportação e investimento federal. O comércio depende de renda. A construção depende de financiamento. A agropecuária depende de crédito rural, logística e mercado nacional.

A leitura honesta é dupla. Ratinho colhe um dado positivo no Paraná. Lula sustenta o ambiente nacional que tornou esse dado possível. O Caged de maio, porém, mostra que a economia formal perdeu velocidade e que a propaganda estadual precisa sair do cartaz e entrar na planilha: setor, salário, cidade, rotatividade e qualidade do emprego.

Para o trabalhador, a disputa entre Palácio Iguaçu e Palácio do Planalto só importa se chegar no contracheque. Se a nova vaga paga pouco, roda rápido e não cobre o custo de vida, ela serve mais ao marketing do que à família. Se paga melhor, permanece e amplia arrecadação municipal, vira fato econômico e político.

O Blog do Esmael seguirá cobrando a abertura fina dos dados do Caged no Paraná: quais municípios mais contrataram, quais setores pagaram melhor, onde houve maior rotatividade e quem está usando carteira assinada como santinho eleitoral antes da hora.

 

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